Barra Bonita – Final do Século XIX

Barra Bonita – Final do século XIX

Os loteamentos das áreas próximas ao povoado se sucediam. Os novos proprietários das glebas abriam picadas, roçavam o mato e assim, iam traçando os contornos dos quarteirões e construindo suas casas. Os caminhos estreitos eram alargados e surgiam as ruas. Todos trabalhavam: homens, mulheres e crianças.
Um imigrante italiano, Luiz Stangherlin, que trabalhava para o Sr. Domingos da Costa Salles, na Fazenda São Domingos, passou a ser o “guarda-livros” – como eram conhecidos os contabilistas de então – de José de Salles Leme, gerenciando grande parte de seus negócios. Homem de visão, compreendeu que o lugar tinha tudo para crescer e comprou, do próprio Salles Leme, uma chácara ao norte do povoado. Mas havia um problema: “o picadão” que mais tarde se chamaria 1º de março, terminava no local onde faria esquina com a futura Prudente de Moraes. O caminho esbarrava em um mato, não muito fechado, mas o bastante para impedir a passagem. Para chegar até sua propriedade, precisou, não só de coragem, mas de determinação e fibra dos desbravadores. Empunhando uma foice, derrubando o mato e “abrindo o novo rumo” de sua vida. Em meio a uma clareira, construí sua moradia simples para abrigar a esposa Giusephina Ghedin Stangherlin, três filhos menores e o velho pai.
Entre muitas lembranças desses tempos, contava ele que, certa noite, ouviu ruídos muito estranhos junto à porta de sua casa. Abrindo-a encontrou-se à frente de um enorme tamanduá-bandeira, pronto para o “abraço” fatal. Apesar do grande susto, o indesejável animal foi expulso a pauladas, entrando pela densa mata ao redor e nunca mais foi visto. Católico praticante, liderou a construção da antiga capela de São José e, posteriormente, da Igreja Matriz. Era um entusiasta do progresso da Vila.
Em 1907, Luiz Stangherlin construiu sua nova e ampla residência, de tijolos e telhas, pois a família crescia. Foram 14 filhos. Junto a casa o poço de “água para beber” que abastecia não só os “Stangherlins”, mas toda a cidade, nas épocas das secas e das faltas de água. O cafezal, o gado leiteiro e o pomar que possuía as frutas mais cobiçadas, são apenas lembranças. A Rua 1º de Março avançou, “rasgou” a chácara e chegou até o Bairro da Água Brava. A antiga estrada boiadeira, que passava em frente a casa – uma das poucas construções do início do século existentes na cidade – deu lugar a movimentada via pública que homenageia seu antigo proprietário e morador: Rua Luiz Stangherlin.

1928 – O casal Luiz Stangherlin e Giusephina Ghedin (italianos) e seus quatorze filhos barrabonitenses:
em pé Satyro Leone, Romeu, Elóy, Alberto, Octavio, David – sentados: Sarah, Iria, Maria o casal Josefina e Luiz, Ida e Amália – a frente: Nilo e Caio.

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